domingo, 10 de maio de 2009

30 segundos


Farol fecha
picadeiro abre

Malabares sobem e descem
vidros só sobem

Show começa
portas se travam

Mãe em outro farol
mãe no salão de beleza

Vontade de empinar pipa
desejo de mais riqueza

Pés descalços
pé no acelerador

Olhos atentos
olhos cegos

mãos ágeis
mão na buzina

Bochechas vermelhas
sinal verde

Esmola fica
fome continua

As ondas

Meus amores
são como as ondas

num mar
brando
de águas límpidas
transparentes


ondas
que vão
vem


continuamente...


que vão
vem



até morrer na praia.

Folhas secas


As folhas
secas
perderam o viço
o verde
a vida

perderam-se
no vento
sem rumo,
rumo
ao chão

mortas
adubam
a terra

corteses
abrem portas
ao Outono.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Barquinho


Meu barquinho
sem vela
remo
motor

Sem rumo
ou destino
à deriva
Sem paradeiro

Perdido
sem mapa
mar a dentro.

Ofegante
assopro
tento
ganhar o oceano.

meu barquinho
de papel sufite
esbarra nas laterais
dum balde
d'agua doce.

flor à Linda

Num canto,
escondidos
afogamos palavras
em beijos
que atiçam a libido
o desejo

Entrego a você
uma flor
e uns versos
impuros como eu

Colhidos
nesse jardim
que é a vida
envolta em suas delícias
agruras
contradições.

Marcha pela terra

Enfileirados
marchamos
no caminho de terra

Pela terra;

Com destino
e propósito
sem mapa

seguimos em marcha...

Rumamos
Ofegantes
e míopes

avançamos
sem paradas

marchando
seguimos no caminho
a caminho
do socialismo

Tropeços são iminentes
Cuidado com atalhos.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Poemas

Minha mente
nem sempre
brilhante
limita poemas
à rimas
sem sentido algum

Meus versos
pobres
são rascunhos
de agruras
nada nobres.

No mais
são apenas
reais
poemas.

Deriva

Naufragando
vejo você
à beira-mar.

Espera-me.

Luto
contra as águas
nada pacíficas.

Alcançarei
o cais
a nado
nem que caiam
canivetes.

O mar em ressaca.
meu grito
na onda
ecoa.

As ondas
incansáveis
tentam
me impedir

Afundar minha canoa.

Meu medo

Meu medo
não dorme
não passa
nem morre.

Meu medo
constante
impuro
incerto

Domina,
alastra-se
no escuro

Risco meu fósforo
último
Enfrento-o.

Nos Campos, de batalha

nos campos
de batalha
mais férteis

nas colinas
propícias
à desflorar
as mais belas
raras orquídeas

rompendo o asfalto
dos centros urbanos
grandes capitais

em nossas vidas
dia-a-dia
cotidiano
ideologia

está para desabrochar
uma flor
já semeada
em jardins elitizados

O socialismo!

Réu confesso

me acusam
de desejo
excessivo

me culpam
por romantismo
de mais

processam-me
por poesias
de amor

não precisa
julgamento
do delito de amar
sou réu
confesso!

13 de maio


Na ladeira,
da memória
ninguém lembra
de nada



13 de maio
dia histórico,
da história
que não foi contada



Qual abolição comemoramos hoje?



Olhos vendados
presos
somos vítima
da grande mídia,
deixados em quarentena
nos sofás de casa
reféns
da nossa própria amnesia.